sexta-feira, 11 de setembro de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 02 - SUÍÇA - VITZNAU/LUCERNA/ZURIQUE

 PARTE 02

VITZNAU - SUÍÇA

Depois de passarmos a noite em Milão... "- Ué, mas não comentou nada de Milão, e nem publicou nenhuma foto de lá!"... Vou explicar pela última vez: estávamos numa excursão feita para turistas (redundante, mas a ênfase se faz necessária) e a prioridade é o máximo de lugares pelo mínimo de tempo e o máximo de valor ($)! Entendeu ou quer que desenhe?

Então vamos lá:  Milão é um dos caminhos para se chegar a Suíça, e a excursão programou uma noite de descanso antes de seguirmos viagem, sendo assim, Milão, de cidade ícone  da moda, se tornou uma reles "cidade dormitório"... a foto abaixo foi tudo que vimos de Milão. Quer ir de excursão, vá, mas depois não diga que não avisei!

Em Milão a única coisa a milanesa que experimentamos foi a cama e só, porque bife não teve. E logo de manhã partimos sem sequer passar pelo quadrilátero da moda (que particularmente não me faria falta). 

Acordamos e seguimos viagem e já vou avisando que, caso não saibam, a Suíça é um país bem pequeno e a forma de a excursão fingir que nos apresentou aquele país adequadamente é passar no máximo de cidades num único dia e depois cair fora de lá e seguir para o próximo destino. Sendo assim a programação era basicamente assim: pela manhã visitaríamos Vitznau, onde também almoçaríamos, depois passaríamos a tarde em Lucerna e terminaríamos o dia, literalmente, em Zurique.

Chegando em Vitznau descemos do ônibus e fomos direto pegar um bondinho (tipo aquele do Pão de Açúcar, no Rio) e subimos a montanha confortavelmente enquanto apreciávamos a bela paisagem. 


Aliás, paisagens na Suíça é um tipo de patrimônio nacional e suas belas paisagens podem ser encontradas, por exemplo, nas fotografias dos velhos calendário ou daqueles quebra-cabeças de milhares de peças, que a gente compra e não monta nunca, mas fica apreciando a foto na embalagem.

Abaixo eu pareço estar posando, mas quem me conhece sabe que não poso para fotos, ainda mais com fins turísticos... sou um viajante sério e um jornalista investigativo! Classifico a foto como um registro, um documento de uma descoberta rara, que é o abominável "Zumbi das Neves", o que justifica minha presença no retrato. 

A moda naquela época era filmes e séries de zumbi, então nada mais apropriado que divulgar o meu encontro com o "Zumbi das Neves" aqui... e podem até ver o desespero da loirinha ali atrás, indo embora rapidamente, depois que o Zumbi das Neves a tratou com frieza, ignorando sua presença e o pedido para fazer uma "selfie" (ou foto para quem é estudado e sabe falar português). Enfim, é um dos ataques mais agressivos que aquele tipo de zumbi pode fazer a uma loura cheia de vazios. E nem vou contar o que ele costuma a fazer com turistas...

Mas mudando de assunto, não sei que tanto frio minha mãe sentiu ali em Vitznau (como podem conferir olhando no retrato abaixo), pois a verdade era que senti tanto calor que não demorei a tirar meu casaco. Aquela neve que vemos nas fotos? Não sei, deve ser cenográfica, só pode, porque não derretia.

Os suíços são inteligentes e desenvolvidos, sabem que turistas pobres e vindo de lugares quentes, sonham em ver neve. Brasileiros, então...


Alguns gostam tanto de neve que aposto serem capazes de guardar um punhado daquela neve suja de terra para trazer um pouco de lá.

Eu, apesar de não ser turista, admito gostar bastante de lugares com neve e frio (embora não tenhamos encontrado tanta neve assim, e frio muito menos).


Acima um estação de esqui... fechada, obviamente, por falta de neve, e esta era a visão que tínhamos da janela do restaurante onde estávamos para almoçar e comer fondue de queijo, se não me engano. 

Depois do almoço descemos novamente, para continuar o bucólico passeio (que se não fosse uma excursão, teria sido realmente bucólico e sem correrias para cumprir horários), mas desta vez, ao invés do bondinho, um trenzinho vermelho... tudo "inho", e para provar meu ponto de vista, reparem numa turista dando "tchauzinho"! 

Pois é, "tchauzinho" para quem? Quem diabos ela conhece no trem onde eu estava? Ela está chamando por alguém, está se despedindo, avisando que alguém deixou cair algo? Não, é só mais uma turista sem noção da realidade... - Querida, eu não te conheço e você parece estar acompanhada, então não vou te dar "tchauzinho", ok?  


No caminho, enquanto descíamos,  fiquei observando a paisagem para ver se via alguma composição interessante para tirar uma foto e acabei registrando um bode e seu pastor... não, não era um bode evangélico! Graças a Darwin! 


Logo em seguida pude observar que não é só no Rio de Janeiro que temos moradias nas encostas dos morros... olha aí embaixo a favela suíça despontando na paisagem de cartão postal.  


Também descobri que lá no primeiro mundo também tem vendedores ambulantes, camelô para os íntimos, como podem conferir na foto que segue.  

E aí, os conservadores vão denunciar o abuso de menores, que deveriam estar na escola ao invés de estarem perdendo a infância num trabalho humilhante, vendendo limonadas, ou sei lá o que , para turistas?!  


Mas não é por isso que coloquei a foto, não, foi só para mostrar a estação das barcas, tipo Rio-Niterói ou Paquetá... só que na Suíça. Dali pegaríamos uma embarcação para ir até a cidade de Lucerna.


LUCERNA

Bom, entre Vitznau e Lucerna, um belo passeio pelo lago, apreciando as paisagens perfeitas do local... entediantes de tão perfeitas.


Ahh, o tédio... com dinheiro no bolso eu seria um entediado bem feliz naquele lugar... até porque, se bater o tédio, é só pegar um trem e em alguns minutos pode ir dali para a França, a Alemanha, a Áustria, a Itália e fugir da rotina se ela ficar chata. ... Mas antes, fique rico!


Beleza e tédio, por lá, tem para todo gosto... a exceção (ao tédio) é somente para aqueles que praticam jogos de inverno... tipo esqui na neve e tal, então, se for verão, talvez o lugar não tenha dias tão agitados (a não ser que você seja um turista em uma excursão).  


Mas chega de conversa, pois estamos chegando a Lucerna e teremos que desembarcar... olha Lucerna ali, óh!


E lá chegando fomos muito bem recebidos pelos locais, que fizeram questão de nos acompanhar na saída da embarcação! Adorei! Super simpáticos!


Do barco fomos direto para o centro (turístico), onde lojas da Rolex nos esperavam de braços abertos... mas mal sabiam eles que excursão de brasileiro pobre não compra Rolex original, só do Paraguai (ou da China). Também visitamos um lugar que fazia canivetes (e também vendia, logicamente), mas os preços também eram uma facada e acabei que nem lembrei de fotografar lá... mas o Rolex (não sei se consegue ler, mas ali no relógio está escrito Rolex) não escapou da foto.


Precisa de um taxi? Pode pegar aquele "mercedão" ali, porque taxi tipo Fusquinha não vai encontrar. Quem mandou ser pobre e querer visitar a Suíça? Vai ter que andar de ônibus de excursão ou a pé... vai por mim, e vá a pé!!!


E foi andando a pé que encontrei o lugar que achei mais legal por ali, algo até comum em vários lugares da Europa, que são prédios todos decorados com pinturas incríveis, de todos os estilos e todos os temas, como nesses prédios. Olha que legal!




Com a tarde chegando ao fim, tínhamos que seguir, pois a noite era a vez de Zurique, onde passaríamos a noite.

ZURIQUE

Pois é, estamos finalizando a rápida travessia pela Suíça, chegando a Zurique no fim do dia e, apesar daquela cidade não estar no roteiro do passeio como lugar de visita, mas somente para dormir, conseguimos alguns minutos fora do ônibus para conhecer um pouco do local. Embora tenha sido uma oportunidade, que não tivemos em Milão, ainda ficou muito a desejar, porque "minutos" não dá para muita coisa... eu por exemplo, não tive nem tempo de visitar o banheiro público daquela cidade (porque o ônibus não tinha banheiro... agora explica isso para minha bexiga estourando).



Descemos do ônibus e pudemos tirar algumas fotos do local nas proximidades de onde estacionamos.


 Eu, que não sou bobo nem nada, consegui escapar e me afastei um pouco, seguindo o rio que desaguava no lago que ficava a uns duzentos metros do local onde o ônibus parou.


Lembra do banheiro público que falei? Olha ele logo ali. Lindo, né? Deve ser melhor que o da minha casa, mas como expliquei lá em cima, não pude ir... a noite caía rapidamente e logo o ônibus partiria para nos levar ao hotel onde dormiríamos para no dia seguinte seguirmos para Paris, na França. Tive que segurar até chegar ao hotel!


Auf Wiedersehen Suíça!


Próxima parada - Paris - França

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 01- ITÁLIA - VERONA

 VERONA

O muro medieval em Verona foi um dos mais bem conservados que vi na Itália... da parte que sobrou dele, logicamente e do pouco que conheço da Itália. Não sei dizer se a parte conservada é original ou se foi restaurada, mas mesmo assim impressiona se imaginar como era séculos atrás. 

Também é interessante observar que, antes, toda a cidade cabia dentro dos muros e, com o tempo, começaram a construir fora dele , porque a cidade crescia e obviamente já não cabia em si, e isso muito antes da era moderna. E como não se podia trocar de muro como se troca a roupa de uma criança que cresceu, e necessita de um número maior, a solução era construir fora do muro mesmo e torcer para não haver invasões dos inimigos.

Acho que para uma cidade moderna caber dentro de alguma muralha, hoje, só se for a muralha da China.


Antes de "entrar" na cidade, com aspas, porque já estávamos na cidade, mas "entrar", aqui, se refere ao que ficava dentro do muro... ai, ai, ter que ficar explicando o óbvio igual a guia turístico. Não tenho paciência, mas ok, vamos em frente...

... Do lado de fora dos muros de Verona encontramos diversos prédios históricos importantes como o Palácio Barbieri, construído no século XIX e mesclando estilos (na foto pode ver a parte de trás, que lembra a forma do Coliseu, mas que na frente tem um estilo mais moderno, em tom amarelado, que na foto parece ser outro prédio, mas não é) e que hoje é sede do município.


Passando o Palácio Barbieri logo nos deparamos com o Anfiteatro Romano, não tão grande quanto o Coliseu em Roma, mas muito mais bem conservado (embora olhando a foto nem pareça tão conservado assim), e que ainda hoje se pode ver grandes espetáculos ali... não, nada de gladiadores, leões e sangue, mas apresentação de ópera e até shows de rock. 

Infelizmente não pude ver nenhuma espetáculo ali porque... adivinhem! A excursão só ficaria naquela cidade por algumas horas e logo partiríamos, então nada de ópera! Deixo então a foto do lado de fora, onde podemos ver parte da estrutura de iluminação usada nas apresentações artísticas.


Abaixo o desenho que se vê, não é um desenho da cidade de Verona no passado, mas uma foto do desenho de Verona no passado. É que eu iria comprar o tal desenho (que na verdade já era uma cópia impressa, obviamente), mas era tão caro, que resolvi fotografa-lo de graça... Brasileiro, sempre se achando um malandro e dando um "jeitinho". 


Mas repare no que interessa, de como era a cidade e como o muro contornava a maior parte, já que começava a surgir construções do lado de fora por falta de espaço na parte central... incluindo o Anfiteatro Romano. 

Como na época ainda não haviam inventado os turistas, ninguém se preocupou com invasões. Hoje, coitados, nem o muro segura... como podem ver na foto abaixo, com os invasores bárbaros indo todos em direção das lojas de souvenir chinês fingindo ser italiano. 

Tudo logo a frente do Anfiteatro Romano... não adianta procurar por elas naquele "desenho", porque são todas recentes, e só para atender aos novos invasores que atacam sem piedade. 


Abaixo é, se não me engano, a foto da entrada de um banco... Sim, pensei em assaltar ali, mas não para levar dinheiro, que seria bem clichê, mas para levar aquelas madeiras do teto, toda trabalhada e cheia de detalhes incríveis... aquilo sim é um verdadeiro tesouro!


Verona também foi locação do filme "Um Pequeno Romance", que começa em Paris, passa por Verona, até chegar em Veneza, como citei quando comentei sobre esta última... num filme romântico não poderia faltar Verona, né?


E o que imortalizou Verona, como cidade romântica e concorrendo com Veneza, foi a história de dois jovens apaixonados (na época os adolescentes ainda não haviam sido inventados, eram apenas jovens), "Romeu e Julieta", do bardo inglês William Shakespeare.

Na verdade "Romeu e Julieta" é baseado em um conto traduzido em versos como "A Trágica História de Romeu e Julieta" por Arthur Brooke em 1562, e retomado depois, em prosa como "Palácio do Prazer", por Willian Painter em 1582 e, por fim, a versão consagrada de Shakespeare, que se baseou naquelas duas versões... não sou especialista no assunto, então consultei a infame Wikipédia.

Bom, o que não se sabe é se a tragédia foi baseada em fatos reais ou se era somente uma alegoria trágica sobre o amor (idealizado). Aliás não se sabe nem se Shakespeare existiu de fato como autor de toda a obra creditada a ele... E sobre isso tem um ótimo filme de 2011, chamado "Anônimo", que trabalha justamente com uma das teses de sobre quem seria, de fato, o autor das obras celebres.

Enfim, parece mesmo que existem muita coisa mal contada no que diz respeito ao universo Shakespeariano... ou você acredita mesmo que esta casa da foto é a casa da Julieta? 


Bom, se você acredita que a casa da foto foi mesmo da família da Julieta, então deve acreditar em outras balelas, como aquela do filme "Cartas Para Julieta", que é um romance bem simpático e sem grandes pretensões, mas que (a produção) resolveu que a passagem que serve de entrada, para a tão citada casa, não era adequada por ser muito poluída visualmente (feia) e por isso criou um cenário bem mais limpo para mostrar na obra.Típico das produções estados-unidenses, que acreditam que são capazes de melhorar a realidade e torna-la, digamos, mais adequada (a maneira deles, obviamente), mas a realidade pura e simples é a que podemos ver na foto aqui embaixo... depois compare com o filme! 




Próxima parada - Vitznau/Lucerna/Zurique - Suiça

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 01- ITÁLIA - VENEZA

VENEZA


Chegamos nas ilhas mais famosas da região do Vêneto de barco, mas dá para chegar de trem também... "Ué, mas não é uma ilha? O trem flutua?". Obviamente não responderei a esta pergunta, que vou considerar como retórica... bom, olhando na foto parece que a cidade está afundando e que será coberta pelas águas... e será mesmo! 

Questão de tempo, mas a verdade é que aquelas ilhas famosas estão realmente afundando... tipo o Titanic, só que sem o iceberg. 

Mais ou menos o que acontece com a Torre de Pisa... não, não é torre de pizza! É a torre inclinada da cidade de Pisa, também na Itália, e que foi construída num solo instável, que cedeu e fez a torre inclinar. Em Veneza a cidade não está inclinando, está afundando por todos os lados... mas vai demorar ainda, então não precisa se preocupar a curto prazo.


 No retrato acima eu fui flagrado como se fosse um turista... foto de mãe é fogo! Quase me comprometeu, mas não se enganem, não sou turista, sou um viajante que registra a viagem! Sacou a diferença? 

Mas como já deduziram, Veneza é um cidade cinematográfica e já foi cenário de inúmero filmes famosos, como filmes do espião britânico Bond, James Bond, o 007 em "Cassino Royale", de 2006 ou "O Turista", com Johnny Depp. 

Mas se quer uma indicação com mais, digamos, pedigree, então indico esses: "Todos Dizem Eu Te Amo", um divertido musical dirigido por Woody Allen e o clássico de Luchino Viconti, "Morte em Veneza" (baseado no romance de Thomas Mann).

Outra dica curiosa é um filme (quase) desconhecido, mas bem legal, que é o longa "Little Romance - Um Pequeno Romance", filme de George Roy Hill (mesmo diretor de "Butch Cassidy e Sundance Kid" e "Golpe de Mestre") e contando ainda com a participação do consagrado ator shakespeariano, Sir Laurence Olivier.


 Na pequena e encantadora obra, que conta o romance de casal de adolescentes, que tem o apoio do velho batedor de carteiras (Olivier), acompanhamos o trio que foge de Paris (França) com destino a Veneza (passando por Verona) para que o casal possa se beijar embaixo da Ponte dos Suspiros, num passeio de Gondola, durante o pôr do Sol, pois diz a lenda que assim o amor será eterno... romântico, né? 

Mas a história da tal Ponte dos Suspiros não é tão agradável, pois dizem que ali era por onde os prisioneiros condenados a morte passavam para receber a sentença final, e enquanto atravessavam a ponte davam seus últimos suspiros vislumbrando a liberdade lá fora, olhando pelas janelinhas da ponte... olha ali na foto e imaginem isso... ou assista o filme se preferir a versão mais leve e açucarada. 


Acima podemos ver a parte superior do Palácio Ducal e logo atrás a Basílica de São Marco, ou Basilica di San Marco se preferir o nome original. E por que somente a parte superior? Ora, se você está acompanhando a minha saga numa excursão pela Europa, por aqui, sabe bem do que falo... mas ok, vamos lá: Uma tática para tirar os turistas que (sempre) poluem toda parte de baixo do belo cenário. Não, nada contra os turistas, apenas a favor do cenário!

Aliás, do chão para cima, é sempre uma foto interessante garantida, como esta gaivota, uma das centenas que circulam por ali... bonita, né? É moradora local, claro, porque se fosse gaivota turista estaria levando algum souvenir no bico.


Mas ok, atendendo a pedidos, e indo contra meus princípios, vou mostrar a situação mais embaixo...


Olha aí... não falei? Estraga a foto! Mas já que publiquei aproveito para explicar sobre o que estamos vendo aqui... Sobre turistas seria redundância explicar algo, mas acredito que possa estar se perguntando sobre toda a água que está ali e sobre a passarela por onde a aglomeração de pessoas está andando... Bom, lembra que eu disse que Veneza está afundando? Pois é, esse é um dos resultados, mas não se preocupem pois, por enquanto, é só um fenômeno sazonal que se soma a alta da maré... mas de uns anos para cá tem piorado, então se for para aqueles lados no período do outono-inverno, melhor já levar um colete salva vidas... não, não é colete a prova de balas. 



A Praça de São Marco até que estava vazia por conta do alagamento, bom para tirar fotos, mas eis que de repente surgem dois seres aquáticos vindos na minha direção... Melhor eu correr! Fui! 


E como eu disse lá em cima o alagamento depende da maré, então coloquei a foto da praça (no mesmo dia) já sem a água e com minha mãe sentada na passarela já vazia e usando botas descartáveis de plástico amarelo brilhante, vendidas pela bagatela (ironia, para os desatentos) de seis Euros cada par!!! Por este preço achei melhor trazer a minha para o Brasil... vai que resolvo passear em Petrópolis no verão.

Mas não pense que ficamos só ali pela praça, também andamos um pouco pelas redondezas e conhecemos uma loja do famoso vidro de Murano... Atenção: Não é cristal de Murano, é vidro de Murano!!! E Murano é uma ilha ali da região, e local de origem do vidro famoso.


Se acha que o Brasil é o único famoso pelo carnaval, então saiba que o carnaval de Veneza também é celebre. E aqui em baixo pode ver a foto da vitrine de uma loja que aluga e vende fantasias para o evento e, claro, para turistas, que levam somente máscaras, porque levar a fantasia inteira não caberia no orçamento... e nem na mala. 


Quer ver como são as ruas em Veneza?


... E se as ruas são de água, então logicamente os carros de lá são flutuantes.


 Gostou, né? Eu também. Mas se quer ver mais, lamento, porque passeio de excursão é assim, a jato... Mal chegou e já tem que ir embora. Agora tenho que correr ou o barco para o continente parte sem mim.

Próxima parada - Verona

sexta-feira, 21 de agosto de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 01- ITÁLIA - FLORENÇA

 FLORENÇA

Michelangelo, Leonardo da Vinci, Gioto, Botticelli, Rafael, Sanzio, Donatello, são alguns dos geniais artistas de Florença (embora alguns pensam que são Tartarugas Ninja). Eu sou artista, se sou genial já é outra questão... mas sou, claro! Também é certo que não sou nem tartaruga e muito menos ninja, assim como também não sou de Florença mas ao menos pude passar por lá, e respirar o ar que os gênios respiraram.

Na foto, além de mim, que fui pego desprevenido (pois como já repeti algumas vezes, não sou turista e por isso não fico fazendo poses ridículas para sair em retrato), vocês podem ver ao fundo a "Ponte Velha".

Aquela ponte é a única que sobrou com este aspecto peculiar, do século XIV, onde "casinhas" surgem pelas laterais da ponte como se fossem verrugas, só que mais charmosas. No Brasil temos algo parecido que surgem em meio a pontes, viadutos, nos morros e por todo lugar que der... mas ao contrário das casinhas da ponte, não tem charme algum.


Em cima das tais casinhas ainda podemos ver outra construção, como se fosse uma ponte em cima de outra e, de certa forma, é... O que acontece é que a poderosa família Medici, lá pelo século XVI, achou que era melhor evitar se misturar com a plebe que circulava pelas ruas da cidade e encomendou a um arquiteto, o Giorgio Vasari, que construísse uma passagem "secreta", que servisse de ligação entre o Palazzo Vecchio ao Palazzo Pitti (residência dos Medicis na época).

Dito e feito, logo a cidade ganhava o que ficou conhecido como "Corredor Vasari", que saía de um ponto da cidade e atravessava o rio Arno até o ponto de destino, para que a nobreza pudesse caminhar por ali com segurança e tranquilidade. Como podem ver as coisas não mudaram muito de lá para cá e a nobreza continua andando acima das multidões. 

Outra obra arquitetônica celebre naquela cidade é a exuberante Catedral de Florença... pensei em fazer um preambulo grandioso sobre a Catedral, famosa por sua enorme cúpula, mas como não dava para competir em tamanho, deixei para lá. E só para terem uma ideia do tamanho do prédio é tão grande que não coube nas lentes da minha câmera.


 A Catedral levou séculos para ser concluída, mas o que considerei uma singularidade é que ela não foi construída com dinheiro da igreja, ou do governo, mas com fundos particulares. É, isso mesmo, foi uma iniciativa de uma grande corporação... não, não foi a Microsoft ou a Apple, era a Corporação das Artes!  Que diferença dos dias de hoje, né?

Claro que nenhum dos responsáveis pela iniciativa viu a obra pronta, já que a obra durou do ano de 1296 até o ano 1579 para ficar totalmente pronta. 

Acho que a demora nas obras da Catedral só perdem para as obras feitas no Brasil, como o caso do Metrô do Rio de Janeiro, que já deve ter mil anos e ainda não foi concluída.

Na foto abaixo, repare nas estátuas que ornamentam parte da estrutura da fachada do prédio... Viu? Pois é, ao contrário do que deve estar pensando que são santos representados ali, mas não são santos e (até onde entendi) sim a representação dos tais "investidores corporativos", responsáveis por fazer existir aquela Catedral. 

E depois dizem que santo de casa não faz milagres. Olha aí a prova de que fazem, sim!


Abaixo podemos ver parte da Piazza della Signoria, com destaque para o Palazzo Vechio. O lugar é um verdadeiro museu a céu aberto, com várias esculturas expostas por ali, e fica entre o Rio Arno e a Piazza del Duomo (da Catedral que comentei ali em cima).


Agora em destaque podemos ver a réplica do David de Michelangelo, no mesmo lugar em que ficava a estátua original, ao lado da estátua de Hércules e Caco, com parte da fachada do Palazzo Vechio logo atrás.

E não perca tempo com piadinhas sobre o tamanho do pinto do David, porque todo mundo já fez... seja original e comente do Hércules. Vai ser um sucesso! E se não for, não é culpa minha.


Antes que perguntem, a estátua original fica num museu ali ao lado, a uma distância bem curtinha... mas lembre-se, a fila de turistas, para entrar no museu é tudo, menos curtinha. Vai encarar?

Eu não... fui!


E o que dizer dos artistas de rua que reproduzem pinturas famosas, com giz, usando as ruas como tela? Por isso que parei de desenhar, porque para mim é difícil traçar um linha reta até usando régua, que dirá fazer o que está na foto. Deve ter algum truque ali, só pode!

Depois de apreciar a replica do Davi e a replica do artista de rua, voltei para a Ponte Vechio (ou Ponte Velha), porque achei aquela construção uma das mais encantadoras que já vi. Desta vez me afastei um pouco dela, para ter uma visão mais panorâmica, e aí fiquei encantado também por um lindo jardim que descobri ali, banhado pelo rio Arno... podia estar cheio de lixo, como o Tietê, mas era cheio de flores e beleza. 


Olhando na outra direção, uma colina onde fica um mirante, a Piazza Michelangelo, e atrás, mais acima a Igreja de S. Miniato al Monte, que serviu de locação para um filme pouco conhecido do diretor Brian de Palma, "Trágica Obsessão", inspirado no estilo Hitchcock de se fazer suspense. 

De Palma sempre foi um grande admirador daquele cineasta e isso fica explícito em obras como "Carrie, a Estranha", de 1976, onde além de parte do tema musical marcante de "Psicose", De Palma também batiza a escola do seu filme de "Bates". Para quem não lembra, Bates era o dono do Bates Motel no já citado "Psicose". 


Bom, resumindo: Florença é incrível e imperdível! Só não conto mais porque deu preguiça. Acha que é fácil ficar escrevendo um monte de coisas que as pessoas não vão ler e ainda por cima ilustrando com fotos de minha autoria? 

Agora vou indo ou corro o risco de perder o ônibus da excursão... se bem que... 

Próxima Parada - Veneza

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 01- ITÁLIA - NÁPOLES E ILHA DE CAPRI

NÁPOLES

Depois do incrível passeio matinal pelas fascinantes ruínas de Pompéia voltamos ao ônibus que nos levaria para Nápoles, não para conhece-la, mas porque é lá que embarcaríamos num barco (parecidos com aqueles de lotação que se pega para ir do Rio para Niterói ou Paquetá) rumo a ilha de Capri. 

A tentativa de ir para o fundo do ônibus, acreditando que ali seria um lugar estratégico para fotografar e ver melhor a paisagem, foram frustradas por um vidro duplo (que duplicava o reflexo e prejudicava a tentativa de registrar algo do lado de fora) e sujo (que prejudicava idem). Para piorar não parava de chover (inclusive dentro do ônibus) e aquilo só piorou minha irritação por ter que ficar correndo como um peru doido pelos lugares históricos, sem tempo para apreciar mais os sítios históricos e museus. 

O tempo que davam para a gente, em geral, era para poder visitar as lojinhas de lembranças... só não sei porque eu iria para a Europa, para ficar comprando bugigangas chinesas. Mas em Nápoles, nem isso. O sabor napolitano ficou na saudade também, porque não rolou nem pizza local.


A passagem pela cidade foi a jato, mas deu para perceber que a região próxima ao Vesúvio era enorme, creio que a maior cidade da Itália e uma das mais populosas. O que ninguém me explica é: por que raios as pessoas se aglomeram num lugar com um baita vulcão ao lado, com risco de explodir a qualquer momento ?! Tantos lugares na Itália e o preferido deles é ao lado de um vulcão que já tirou várias cidades (e seus moradores) do mapa!! Lembrando que na década de 1940, ainda durante a Segunda Guerra Mundial, também houve uma erupção... Eu que não mudo para lá! 

Mas Nápoles é mais que o vulcão e que a pizza, logicamente, então deixo uma dica literária, que é a "Série Napolitana", que virou uma série de tv bacana chamada "A Amiga Genial". Mas o mais curioso é o mistério sobre a identidade da autora que assina com o pseudônimo de Elena Ferrante, que mantém seu nome verdadeiro e sua origem em total segredo.  

Minha impressão daquela cidade, ao menos dos arredores, é de um caos completo e me lembrava algum subúrbio do Rio em alguns momentos e em outros uma daquelas cidades do oriente médio que vivem em escombros por conta de bombardeios incessantes, daqueles a que assistimos no Jornal Nacional.

Na foto ali em cima dá para ter uma ideia, embora eu tenha preferido escolher uma foto menos, digamos, assustadoras. Não sei se a decadência é pontual do bairro, mas a verdade é que andamos por quilômetros passando por prédios cacarecados, sujos e caindo aos pedaços. Obviamente o centro histórico da cidade era mais bem preservado, mas já devem imaginar que só passamos pelo centro para o ônibus fazer sua manobra em direção ao porto. 


Se na direção do continente víamos um mar de prédios pedindo para serem demolidos ou reformados por completo, na direção do mar surge um belo castelo... um pouco sujo de fuligem, é verdade, mas ainda assim, belo!

Estou falando do castelo medieval Nuovo, que hoje nada tem de novo, já que foi construído entre os anos de 1279  e 1282. Ele foi ocupado somente em 1285 por Carlos II de Nápoles, um figurão da época, cheio de títulos de nobreza.

Eu até queria conhecer o castelo, mas não rolou, né?

Bom, abaixo a Galeria Umberto I, que é um impressionante exemplo da arquitetura do século XIX, que é uma das mais importantes do país, ao lado da Galeria Vittorio Emanuelle II em Milão. Mas o que conheci da citada galeria napolitana é o que podem ver na foto que fiz do ônibus, que fez um contorno ali na frente... um contorno!!! É nisso que se resume uma viagem de excursão, então estejam avisados!


Abaixo a Fontana del Carciofooo... ih, passou!


Ihhh, olha lá... Certosa e Museo di San Martino Napoli... Ciao bello! Fica para a próxima! 


Bom, abaixo o último registro de Nápoles, atrás do antigo castelo Nuovo, onde descemos do ônibus para pegar o lotação para Capri. Todos a bordo!!! 



ILHA DE CAPRI

Capri, como toda a Itália, tem seus valiosos sítios arqueológicos e suas histórias de séculos, mas hoje sua fama praticamente se resume a turismo! Basicamente é uma ilha para turistas ricos e  residência de lojas de grife (mas claro que se procurar ali no centrinho, vai encontrar algumas daquelas lojas de produtos italianos feitos na china), com paisagens de cartão postal e fotos de pessoas com cara de paisagem. 

Eu com cara de paisagem... 


Minha mãe com cara de turista olhando paisagem... perceberam a diferença? 


O que estraga é o penduricalho identificando a agência de turismo e estragando minha imagem de viajante sério! Triste isso! Eu devia cobrar pelo merchandising. 

A rua das lojas era toda assim, como na foto a seguir... sei que não é uma foto das mais descritivas, mas vocês acham mesmo que eu faria propaganda das lojas de graça? Se me pagarem eu mostro as fachadas de todas elas com suas marcas e até deixo aparecer alguns dos turistas que cortei da foto apontando para cima! 


Atendendo a pedidos vou mostrar duas fotos mais abertas, para terem uma ideia melhor do lugar... nem sei se podemos chamar de cidade, mas enfim, de lá da ilha.

Foto de um lado...


... e do outro lado!


Não pensem que falo de Capri como se tivesse algum ranço do lugar... nunca! A culpa não é do lugar, afinal lugares não tem culpa de nada, porque só exite uma espécie que é culpada por estragar lugares perfeitos. 

Como não quero parecer uma pessoa negativa, rancorosa e vingativa, pois sou uma fofura em pessoa, vamos em frente!


Depois do belo passeio debaixo de chuva pelo centro turístico da cidade, fotografando e comprando lembrancinhas dos chineses foi a vez do passeio de barco... não, não foi aquele grande ali atrás, com detalhes em azul. O nosso era, digamos, mais modesto e mais parecido com aqueles ao lado do grandão.

Lembra quando dizem "azul marinho"? Não é atoa.


Nos disseram que fazia parte da programação entrar com o barco numa caverna, mas adivinhem! Não entramos porque nos disseram que o mar estava agitado, mas... peraí, se estava agitado para a gente, por que aquela lancha de gente endinheirada estava saindo da caverna? 

Bom, passeio de barquinho em buraco na parede é coisa de turista, então por mim tudo bem. Próxima!



Bonita formação na foto abaixo... e dizem que passam com os barcos pelo buraquinho na rocha... ai, ai. 

Mas sabe por que registrei a bela formação? Porque me lembrou algumas das pinturas de Salvador Dali! Não lembra?


Na foto aqui embaixo podemos ver uma casa branca no penhasco, algo comum por lá, mas aquela ali, segundo me disseram, foi usada como locação do belo filme "O Carteiro e O Poeta". Já viu? Não?!

Então vá assistir e depois volte para falar comigo... não, só falo depois. Vai lá...  


... Então, me disseram que filmaram ali, em Capri, mas era informação de guia de excursão, então como sabem, não é das mais confiáveis, até porque estamos falando de cinema e não de ruínas históricas.

Dei uma pesquisada, sem me aprofundar muito, porque, sinceramente, pouco me importa aonde foi filmado, mas a qualidade da obra, que é excelente! Já vi uma informação de que foi filmado num lugar chamado Prócida e outra que dizia que foi em Salinas, pouco importa.

E se não tem a menor ideia do que estou falando, o filme é uma adaptação do livro que romanceia sobre uma amizade que o poeta chileno Pablo Neruda teria tido com um carteiro, quando vivia em Isla Negra, no Chile, mas que no filme se passa na Itália dos anos 1950.

Próxima Parada - Florença