sábado, 1 de agosto de 2020

02 - A EXCURSÃO DE DANTE - PARTE 01 - ITÁLIA - ROMA

A EXCURSÃO DE DANTE

Desgraça pouca é bobagem... acho que é assim que se diz. E para falar a verdade nunca entendi bem o que significa, porque, sinceramente, desgraça é um problema acumulativo, então, para mim, pouca desgraça sempre será melhor que muita desgraça. Por exemplo, naquela primeira viagem a Paris para passar o Natal de 2011 (sem neve), não foi uma experiência tão ruim, tirando o fato que não nevou, não parou de chover e que todos os passeios eram tão corridos que só conseguimos aproveitar depois, olhando as fotos e, claro, por se tratar de uma excursão, mas que éramos só eu, minha mãe e um casal que mal vimos por lá.

Como aquela primeira experiência não nos causou nenhum trauma, resolvemos arriscar uma segunda excursão pela Europa logo no ano seguinte, em outubro de 2012... e desta vez, sim, foi traumática! Sabe aqueles soldados que voltam da guerra com estresse pós-traumático? Pois é, nós vivenciamos o estresse pré-traumático, o traumático em si e o pós. Só eu sei como foi difícil teclar este depoimento vestindo uma camisa de força... tá, admito que estou dramatizando um pouco, porque senão quem vai querer ler essa chatice de viagem de excursão, por mais que o narrador (eu) seja uma pessoa incrível?

Bom, indo ao ponto, começamos visitando a Itália, subimos os Alpes Suíços, descemos na França e finalizamos com a excursão na Inglaterra. De bônus, antes de voltarmos ao Brasil, e já livre do pesadelo com o grupo de turistas, uma paradinha em Portugal.

Apertem os cintos e boa viagem... ou não!

PARTE 01

ROMA - ITÁLIA

Agora vamos lá... A primeira parada foi na Itália, Roma para ser mais preciso. Aquela cidade (na verdade a Itália inteira), é um enorme sítio arqueológico, um grande museu a céu aberto. Lá acontecem coisas do tipo:

"-Vamos fazer uma obra nessa pracinha para abrir uma entrada do metrô?"

e... Pimba! Mais uma ruína é descoberta embaixo da terra. Param as obras, vêm os arqueólogos e menos uma estação de metrô em Roma.


Roma, antes de ser capital da Itália, foi capital do Império Romano. Não confundam com o Império Americano, que hoje invade as ruas de Roma, e de várias outras cidades pelo mundo, com McDonald’s, Coca-Cola, produções Hollywoodianas, Donuts (rosquinhas, tipo aquelas do Homer Simpson e dos filmes policiais) e outras porcarias consumistas.

Na época dos Césares havia pão e circo, mas nem por isso a vida era mais fácil, afinal corria-se o risco de virar comida de leões numa arena pública. 

Roma é uma das cidades mais antigas da Europa, surgida na idade do ferro, a mais de 2.760 anos e se tornaria a “capital do mundo”... do mundo que se conhecia na época, já que o continente americano ainda não existia para aqueles que viviam nos outros continentes. 

Os exploradores ainda acreditavam que nosso planeta era tudo, menos redondo. O mundo para eles era plano, e é fácil aceitar isso considerando a limitação do conhecimento daquele período... o difícil é acreditar que ainda hoje tem gente que acredite nesta bobagem... e não estou falando de turistas, não. Enfim, era impossível contornar um mundo plano, além dos riscos de sofrer com ataques de monstros marinhos ou de serem seduzidos por encantadoras (e perigosas) sereias.

Viva a ciência! 

Visitar o Coliseu é, mais ou menos, como visitar o estádio do Maracanã durante as reformas para a Copa do Mundo de 2014, basicamente um estádio de futebol em ruínas. Talvez já tenham visto uma reprodução daquele lugar em CGI (aqueles efeitos especiais de computador) para “Gladiador” (2000), dirigido por Ridley Scott. 

No filme o herói da ficção vivido Russel Crowe é obrigado a lutar por sua liberdade, e sua própria vida, naquele cenário. No filme podemos ter uma ideia de como era o Coliseu (e Roma) no seu auge. Não é o melhor filme de Scott, responsável pelos clássicos “Alien” (1979) e “Blade Runner” (1982), mas como aqueles dois filmes não se passam em Roma, não me serviram como exemplos ilustrativos.

O responsável pela solicitação de construção do maior anfiteatro de Roma foi o Imperador Vespasiano em 72 d.m.C. (depois do mito de Cristo). O Coliseu foi construído no mesmo terreno onde ficava o palácio de Nero, a Domus Aurea, e podia receber, aproximadamente, 55 mil expectadores para assistirem aos jogos. 

As diferenças básicas para o que chamavam de jogos são as seguintes: Na época da Roma antiga a pessoa era a bola e os leões, os jogadores (também faziam um maior número de gols, sem cobrar salários milionários). 

Outra diferença e também um mistério, assim como com as pirâmides, é a construção em si... Reparem nas pedras gigantescas no alto do Coliseu. Como foram parar lá?

 

Na foto que segue dá para ter uma ideia melhor da escala da construção em relação às pessoas... pessoas, não, turistas! Turistas que estragaram minha linda foto do interior do Coliseu. Cadê os leões na hora em que precisamos deles?

Não sei como as enormes pedras chegaram lá, mas sei como saíram e, para minha surpresa, não foi por desgaste do tempo ou erosão como também devem pensar. As pedras sumiram de lá porque o Coliseu foi transformado em “pedreira”, de onde antigos moradores, de gerações passadas, tiravam a matéria prima de suas novas (na época) construções. 

"- Liquidação de 'tijolos' do Coliseu: Compre 2 e leve três!!"

 Lamentável! Ainda mais se imaginarmos hoje, com aquelas lojas que vendem material de demolição, e que muitas vezes nem deviam ter acontecido (como o caso do edifício em questão). 

Se repararem lá no fundo da foto panorâmica do interior do Coliseu, tem uns “pontinhos brancos” ao fundo... viram? Pois é, aquilo foi o que sobrou da arquibancada. Só isso já devia ter dado para construir um bairro inteiro. 

E já que citei Hollywood lá no início, não poderia deixar de falar do cinema italiano, afinal Roma foi cenário de importantes produções (e revoluções cinematográficas). Logo após a Segunda Guerra Mundial acontece o Neorrealismo italiano, revelando ao mundo o talento de grandes cineastas como, Vittorio De Sica, Luchino Visconti e Roberto Rosselini, responsável por inaugurar o movimento cultural com o clássico “Roma, Cidade Aberta”. E você aí, achando que só americanos fazem filmes. Coitado...

Logo a seguir surgem outros nomes fundamentais do cinema italiano, como Ettore Scola, Giuseppe Tornatore e, claro, de Federico Fellini, autor de “La Dolce Vita” com sua antológica cena na Fontana Di Trevi. Eu, particularmente não precisei entrar na fonte para me molhar, como os protagonistas do filme fizeram, pois a chuva era torrencial. Nada que tirasse a beleza da fonte. Na verdade até que a chuva ajudou e espantou a multidão de turistas que estavam ali atrapalhando minha foto da fonte. Turistas... Ô troço chato!

 

Outra coisa que sempre me impressiona na Europa são os obeliscos, que foram retirados (roubados) do Egito, em tempos antigos, e distribuídos pelo continente Europeu. Na verdade não sei quantos foram levados para Europa, mas vi dois de vários: Um em Roma e outro em Paris. Numa pesquisa rápida descobri que a cidade de Roma é a que abriga a maior quantidade de obeliscos na Europa. Aliás, no mundo!

Existem oito obeliscos em Roma vindos do Antigo Egito, cinco com origem da Roma Antiga, e isso sem contar outros modernos. Mas o obelisco mais alto do Antigo Egito, ainda em pé no mundo, pesando mais de 230 toneladas, está hoje, em Roma, é o Obelisco Laterano (aquele ali da foto). 

Mais uma vez... Como fizeram isso? Já viram o tamanho e peso daquele troço? Será que contrataram o Obelix? Seriam os deuses astronautas? Mistério...
 

Como já comentei mais de uma vez, um dos problemas de ir numa excursão (além dos turistas, que são parte do pacote) é a correria que impede uma apreciação mais contemplativa de qualquer coisa importante, mas fora do programa, como o caso do obelisco citado aqui em cima... 

...ou o Monumento Nacional a Vítor Emanuel II, que é um monumento em honra ao primeiro rei da Itália unificada e considerado o pai da pátria italiana. Inaugurado em 1911 foi mais um dos monumentos destruídos por produções Hollywoodianas, que no caso foi o filme "O Núcleo" de 2003... Não, não é uma recomendação de filme, é só uma curiosidade inútil.

Mas se querem uma recomendação que vale a pena, então o filme "Para Roma Com Amor" de Woody Allen é a indicação perfeita para os viajantes mais exigentes! Pode não ser a melhor obra do diretor, mas certamente é muito melhor que a outra produção apocalíptica e ao gosto do turista. 


O mesmo problema (não de ser destruído por Hollywood, mas por não estar no pacote de visitação) foi com o Castelo de Santo Ângelo, as margens do Rio Tibre (Tigre, não, Tibre!!!), e que em quase dois milênios de existência já foi um mausoléu, edifício militar, referência de um surto esquizofrênico de um Papa (que viu um Arcanjo embainhando sua espada para indicar o fim da peste que assolou a região no século VI) e que mais recentemente é alvo do ataques de turistas animados e armados com telefones que tiram fotos.

Já eu, não tirei as fotos que eu gostaria, com minha super máquina fotográfica (porque foto com o telefone é coisa de turista, como se sabe) , pois o programa da excursão não incluía o castelo (que originalmente foi o Mausoléu de Adriano), mas como ele estava no caminho para o Vaticano, até consegui bater uma foto (ruim), pela janela do ônibus em movimento.

Ahhh... Na ópera “Tosca”, de Puccini, virou cenário do último ato. 


Conhecer o Vaticano é uma “atração” a parte, já que o Vaticano nem é Roma, é outra cidade (na verdade uma cidade-estado), só que dentro de Roma... tipo Brasília, que fica no meio de Goiás, é cheio de riquezas e cercada de pobreza e miséria por todo lado, como uma ilha e onde muitos de seus moradores falam de honra, nobreza, prometem o céu, mas só deixam o inferno mais promissor. 

Observações políticas e filosóficas a parte, não é preciso dizer que um lugar com obras de Michelangelo é imperdível. A dica de cinema aqui é o filme de 1965, "Agonia e Êxtase" que romanceia a relação conflituosa sobre o projeto da famosa Capela Sistina, entre o Papa e Michelangelo... E, não, não tem discos voadores, ou terremotos destruindo o Vaticano!

Mas voltando ao assunto: como não deixavam fotografar a Capela Sistina, fotografei a Pietá, que não sofre desgastes por causa das luzes dos flashes. Mas sinceramente... Olhe suas fotos dos lugares históricos e olhe as fotos de um livro sobre o mesmo lugar. A do livro, certamente é melhor! 

Tirei fotos, é claro, mas também comprei muitos livros. Além das fotografias ilustrativas, as publicações vêm com informações relevantes sobre a obra e o local, ao contrário dos retratos que tiramos e, que no máximo, vem a data estragando o cenário.

 

Uma das surpresas que tive, ainda no Vaticano foi que, num teto de um dos muitos corredores quilométricos, descobri que os relevos esculpidos, não eram esculpidos!! Eram pinturas, que davam ilusão de ótica perfeita de serem relevos esculpidos no teto! Estou falando da foto aí embaixo... aquilo não é relevo nem programa de 3D, é pintura a mão!!! 

Impressionante!! Aliás, acho que esta palavra define bem a Europa, de uma forma positiva, claro. Aqui no Brasil também ficamos impressionados, mas de uma forma mais traumática.

 

Mas o melhor de viajar para um lugar celebre (o lugar ser celebre não quer dizer que tenha participado do BBB, ok?), é descobrir recantos desconhecidos, mas não menos curiosos e charmosos, que podem ser menos importantes do ponto de vista históricos, mas que ao descobri-los se fazem tão importante quanto. Um desses lugares foi um prédio com uma galeria coberta, onde me refugiei da chuva, depois de tentar escapar seco da Fontana Di Trevi. O lugar tem as paredes todas decoradas e... Enfim, olhem a foto.


E aí... acabou! 

Como assim acabou?!

Pois é, com excursão é assim, acaba rápido, quando menos se espera, porque é tudo corrido! Mas tudo bem, atendendo a pedidos, uma saidera: A pirâmide de Céstio em Roma! Não, não fiquei maluco e nem trouxeram uma pirâmide como fizeram com os obeliscos... é uma pirâmide genuinamente romana! Ela foi construída entre 18 e 12 a.m.C. (antes do mito de Cristo) como túmulo para Caio Céstio Epulão, um figurão da época, logicamente, ou não seria sepultado numa pirâmide, concordam?

A inclinação acentuada da pirâmide não é a forma mais conhecida (nem por turistas e nem por pessoas normais), mas era comum no reino de Meroé, que tinha sido atacada por Roma em 23 a.m.C.(antes do mito de Cristo), o que sugere uma influência direta.

E acreditem se quiser, não foi a única pirâmide em Roma! Mas sinceramente, se é para falar de pirâmide, melhor ir logo para o Egito! Então fiquem com a foto (tirada em movimento, pela janela do ônibus, porque em excursão de pobre é como funciona... nunca mais!).
 

Ciao Roma!

... Para quem acha que isso foi o fim, saibam que foi apenas o começo desta torturante viagem, num ônibus de excursão lotado de zumbis preocupados com o fim da novela televisiva, de importância fundamental (sabem o que é ironia, ou preciso explicar?), mas que perderiam por estar num passeio pela Europa... devem ser terraplanistas, só pode!

Próxima parada - Pompéia

segunda-feira, 2 de março de 2020

01 - NATAL COM NEVE EM PARIS


NATAL COM NEVE EM PARIS

Era uma vez a tentativa de se viajar pelo Brasil, e num país de dimensões continentais a lógica, obviamente, é viajar de trem, mas... o Brasil não tem trem!!! Eu sei que tem avião, mas o trem seria a opção mais óbvia para se chegar a cidades no interior do Brasil, aonde o avião não vai.

Mas todo mundo sabe que companhias de ônibus e afins não deixam porque daria prejuízo e tal, mas é melhor fingir que não se sabe disso, pois se mexer no vespeiro pode-se acabar num pote de mel (tá, eu sei que quem faz mel é abelha, mas como o ditado é com vespas, eu tive que adaptar... o importante aqui é entender a metáfora. Entenderam???).

Mas continuando: A ideia de minha mãe era irmos para a linda Gramado (RS) para passarmos o Natal por lá, que é uma cidade linda, limpa e cheia de atividades Natalinas. Nunca havíamos passado um Natal com neve e, claro, em Gramado não teria neve, pois o Natal por aqui é no verão e o calor é insuportável. Deve ser por isso que a neve vai passar o verão no inverno Europeu. Tudo bem, não teria neve, seria bem quente, chocolate seria sempre derretido, mas seria um feriado numa cidade incrível.

Como não viajávamos há muito tempo minha mãe achou melhor procurar uma agência de viagem para ajudar. Para a frustração geral, um passeio a Gramado era tão caro, mas tão caro que teríamos que nos contentar a passar as festas em casa mesmo, comendo frango com farofa (e passas, porque Natal sem passas, mesmo que não se goste, não é Natal), pois peru é grande demais para duas pessoas.

Já estávamos discutindo se deveríamos comprar Panettone ou Chocottone (Chocottone, claro, que não tem frutas cristalizadas... eca!) quando o telefone tocou e era a moça da agência para oferecer uma opção de viagem: - Olha, não sei se interessa a vocês, mas como a viagem para Gramado está muito cara, tenho aqui uma viagem para Paris pela metade do preço. Interessa?

Preciso responder isso?

Bom, conclusão: Natal em Paris!

Fiquei pouco a vontade no início, pois era no esquema de excursão, e como já expliquei, não sou turista, mas assim que chegamos ao destino fiquei mais tranquilo, porque a excursão se resumia a mim, minha mãe e a um casal que quase não vimos no período que ficamos lá. Ufa!


PARIS

Chegamos a Paris, finalmente, depois de horas de desconforto na classe econômica. Alívio enfim! Já sabe, né, quando quiser se vingar de alguém, torturar sem pena, mande a pessoa para qualquer lugar numa viagem de classe econômica. Quanto mais para longe o destino, melhor é a vingança.

Do aeroporto uma van da excursão nos levou para o hotel para um rápido alívio. Rápido porque mal chegamos ao quarto do hotel e já teríamos que descer em seguida, de volta para a van que nos levaria para um passeio “bucólico” no Rio Sena, a bordo de um Bateaux Mouche.

Falando um pouco do hotel, apesar do prédio suntuoso, o quarto era bem pequeno e deixava a desejar, o que era resultado da invasão de redes americanas, que se preocupam mais com quantidades (maior lucro) do que com a qualidade e conforto para os hospedes (como eu). Fiquei sabendo que no passado o hotel hospedara ninguém menos do que Gioachino Rossini, o compositor de “O Barbeiro de Sevilha”!!! Feliz dele que conheceu o hotel antes de virar poleiro de turistas.




Apesar dos quartos não servirem de referência para seu passado glorioso, sua fachada ainda mantinha a imponência dos idos da Belle Époque e, de quebra, o mesmo prédio ainda abriga a Passage Jouffroy (passage é uma galeria, como as que temos no Brasil, normalmente com algum comércio, e Jouffroy... é o nome da galeria) e um dos museus de cera mais antigos da Europa, o Musée Grevin.

Bom, depois falo mais da galeria e seu comércio, porque a van chegou! Chegou e junto com ela um temporal para ninguém botar defeito. Recomendo muito! Ainda mais num passeio de barco no inverno parisiense. E se vocês não entendem ironia, boa sorte!




Saímos de um lugar próximo a Torre Eiffel, passamos por vários lugares importantes historicamente que ficavam logo ali nas margens do Rio, passamos pela Catedral de Notre Dame (antes do incêndio) que aquela altura era o cenário perfeito para o romance de Victor Hugo, “O Corcunda de Notre Dame”... Não, não é um desenho da Disney, é um romance de Victor Hugo!!! Logo depois da Île de la Cité o Bateau Mouche contornou para voltar ao ponto de partida.



Eu fiz vááárias fotos, todas borradas, embaçadas e pingadas pela chuva, então se querem imagens nítidas terão que assistir diretamente da minha memória... na verdade minha memória também não é das mais nítidas. E minha mãe? Minha mãe “apagou” o passeio todo.

De volta ao hotel fomos praticamente direto para a cama... e de repente o telefone toca! O tempo passou literalmente num piscar de olhos, porque nem me lembro de ter sonhado e quando nos demos conta já eram oito horas da manhã e a recepção do hotel nos chamava para avisar que a van já nos esperava para o próximo passeio. Ainda estava escuro e frio, o que não era um estímulo para abandonarmos os cobertores que nos aqueciam durante o sono profundo, e que tivemos que afugentar de supetão.

Sem tomarmos o café da manhã, porque já estávamos atrasados, lá fomos nós para mais um passeio num belo dia de chuva, o ideal para conhecer os jardins de Versailles... ironia, lembram?



Fotos do jardim real, de um dos palácios mais famosos e importantes do mundo, num dia de Sol seria o ideal... e sem os turistas poluindo a paisagem, obviamente. Bom, mas como não havia solução para fazer o dia se tornar ensolarado e desintegrar a turistada, resolvi fotografar assim mesmo.

Fiz algumas fotos do jardim e do palácio por fora, pois o passeio não incluía a parte interna (pacote de pobre é fogo). Para melhorar a situação eu só tinha, na época, uma câmera amadora (dessas de turista, sabe?) com lente fixa e por isso não consegui fazer nenhuma foto com o prédio inteiro, porque o prédio centenário era demasiado grande... Coisa que Freud explicaria muitos anos depois de sua inauguração.

Mas para quem quer ver mais sobre o palácio, recomendo que assistam a série “Versailles”, que dramatiza sobre o reinado de Luís XIV, o Rei Sol (com direito a muita licença poética, então cuidado para não acreditar em tudo). Tem também o filme “Um Pouco de Caos”, sobre a construção de parte dos jardins do palácio, com licença poética idem, e fora isso é ver documentários e procurar informações em sites, porque eu não sou professor de história.

Mas mais um comentário sobre o realismo de produções que tentam recriar uma época com fidelidade: digo que é impossível fazer uma recriação fiel sem o Kubrick, sua iluminação com velas e roupas da época compradas em leilão. Então fica a dica para o filme dele (do Kubrick, não do Rei Sol) que mais gosto, “Barry Lindon”, que é adaptado de um romance de ficção, mas que é uma das reconstituições de época mais impressionantes que conheço... e, pois é, não sou historiador, mas adoro cinema (cinema de verdade, como aqueles do Scorcese).



Depois de Versailles voltamos para o centro de Paris e num passeio a jato conhecemos, por exemplo, a Catedral de Notre Dame (por fora... e por trás, porque tinha menos turistas). O local remete à idade média e é berço da cidade, pois Paris começou naquela região.



Mas atendendo a pedidos, tirei uma foto da frente da Catedral também, apontada para cima, toda torta e muito recortada para evitar a poluição visual causada pela multidão de tur... ahh, vocês entenderam!




Em seguida fomos (também a jato) ao Sacre-Coeur de Montmartre, mas a horda de zumbis-turistas impossibilitava qualquer contemplação do lugar que, aliás, era algo recorrente por toda Paris. Sinceramente não sei como conseguiram filmar “Amelie Poulain” ali e tantos outros filmes... deve ter sido efeito especial, só pode. Escolhi uma foto que tirei de longe, e meio escura, porque assim dá a impressão de não têm muitas pessoas. Mas não se enganem, se forem lá, vão sufocar no mar gente.



Ao menos o tempo deu uma trégua e melhorou, abrindo espaços entre as nuvens. Não foi por muito tempo, mas por tempo suficiente para esticar o passeio depois que saímos do ponto mais alto da cidade.

Já na parte baixa passamos em frente ao emblemático Moulin Rouge, mas de dia e com carro em movimento. Foi tudo, menos emblemático, como já devem ter concluído. Aliás, se você vai lá esperando encontrar o lugar do musical cinematográfico de mesmo nome, vai se decepcionar.



Olhando agora não é tão glamoroso. Concorda? Mas tem vários filmes aonde você pode ter um vislumbre, mesmo que romanceado, do que era o antigo cabaré. Se gosta dos filmes do Indiana Jones, então procure o seriado que fizeram da personagem nos anos 1990 (que eu amo) e procure na primeira temporada (que não é a melhor, mas mesmo assim bem legal) onde  Indiana Jones, ainda menino, fica amigo de ninguém menos que o incrível ilustrador Norman Rockwell, que o apresenta ao lugar, as coristas e artistas como Picasso, em início de carreira e o já consagrado Degas, na Paris de 1908.

Se fui ao Ópera Garnier? Passar de carro, conta?  Mesmo não sendo foto de cartão postal creio que dá para se impressionar com sua bela fachada. E se algum carioca achar que lembra algo, então saiba que sim, porque o famoso teatro francês inspirou a arquitetura do Theatro Municipal do Rio de Janeiro, ali na Cinelândia, numa época em que o Brasil preferia ter a França como exemplo, ao invés dos Estados Unidos. Bons tempos...



Sainte-Chapelle, Place Vendôme, Place de la Concorde, Petit Palai, Les Invalides e outros lugares importantes, foram só de longe e de carro também. Podem imaginar como ficaram as fotos... fotografei tudo com o carro andando, afinal ou era assim, ou não era nada. Restou torcer para tirar alguma foto que valesse a pena. A maioria ficou com cara de foto de turista, infelizmente.

Querem um exemplo? Então vou mostrar foto do La Madeleine... Não!!! Madeleine não é uma corista gostosa de cabaré francês! É um prédio construído por Napoleão (e não, Napoleão não era engenheiro, nem peão de obra), e que foi transformado em igreja e dedicado a Santa Maria Madalena. Também tem uma espécie de bolinho com o nome de Madeleine, mas pela foto você vai deduzir que não é dele que estou falando aqui.
  

Com a Torre Eiffel só foi melhor (menos pior) porque pegamos o barco (no dia em que chegamos, lembram?) para o passeio noturno bem próximo a ela e deu para aprecia-la com mais tempo que as outras atrações. E foi com lágrimas nos olhos... lágrimas de chuva, logicamente, que consegui fazer algumas poucas fotos, que até ficaram melhor do que o esperado (quando se tem talento fica mais fácil).



O Arco do Triunfo nós visitamos com mais tempo, pois estávamos no nosso “tempo livre” (livre da excursão). Só vimos o arco por fora, até porque nem passou pela minha cabeça, na época, que se podia entrar ali. Era apenas 15h30m e logo escureceria por conta do inverno, mas apesar do frio (não tinha neve) até que estava agradável para uma caminhada , então decidimos descer a Champs Elysee a pé, até perto da roda gigante (aquela tipo a London Eye), onde tinha uma feirinha de Natal.





Foi naquela feirinha onde comi um dos melhores sanduíches da minha vida, e não foi por causa do recheio, mas por causa do pão. O legitimo pão francês! E olhando o arco lá de baixo da avenida mais famosa do mundo, não me veio a mente nenhum filme, dos muitos que tem a avenida e o arco como cenário.  Mas isso porque, para mim, a imagem mais marcante daquele lugar é a da libertação de Paris da ocupação nazistas.


A esta altura minha mãe, que não é de andar muito, já estava “pelas tabelas” como dizem por aí, então voltamos de táxi para o hotel para descansarmos um pouco (ela, porque eu estava com a carga toda). À noite minha mãe não sai por nada, uma espécie de vampiro ao contrário, então fui sozinho ver como estava a decoração da Galeria Lafayette e aproveitar para comprar mais presentinhos para nossa noite de Natal em Paris. Linda a decoração! Talvez até cafona, mas linda! 


Ahh, sim... fiquei de comentar mais sobre a galeria que atravessava o prédio do hotel, então vamos lá: Se vir uma galeria em Paris, da qual você nunca ouviu falar, entre! É sempre uma caixa de surpresas, cheias de bons motivos para uma boa exploração. Enquanto os turistas normais irão dar exclusividade a lugares como as famosas Lafayette, Printemps e seus departamentos ou a lugares como o Maxim’s e Fauchon,... 



...você pode descobrir lugares singulares como Passage Jouffroy (que nem é tão fora do circuito, assim, mas não é lotada e vale a pena)... Lembrando que lá no início do texto tem uma foto da entrada embaixo do prédio do hotel.

Logo na entrada encontramos o restaurante “Le Café Zéphyr”, que pelo nome já dá para sacar que não é típico francês, mas que foi uma mão na roda para nós, que éramos viajantes em início de carreira. Se era bom? Posso dizer que dava para engolir, pois comemos lá algumas vezes, porque não sabíamos de nenhum outro restaurante por perto (e aberto durante os feriados de fim de ano). Se era caro? Ahh, está querendo saber demais, né?!

Continuando: Do lado direito uma loja de roupas (caras) e logo em seguida a entrada do museu de cera. Entrando na galeria, logo a direita, a entrada do hotel onde ficamos e em seguida lojas para todo tipo de interesse e gostos, como uma loja que vendia quadrinhos (ou BD como dizem por lá), outra que vendia miniaturas de personagens animados famosos como Asterix ou Barbapapa (alguém lembra do Barbapapa?), a loja La Cure Gourmande, de biscoitos e mais outras opções para quem quer olhar vitrine e/ou gastar dinheiro.

Ao fundo mais um hotel, o Chopin, mas para quem pensa que acabou ali, se engana, pois virando a esquerda a galeria continua e se estende até atravessar todo o prédio.



Para tudo! “- Mas e o Louvre?! Esqueceu?!” Não queridos, ninguém esquece o Louvre e passamos por lá, de carro e a pé, durante o dia e durante a noite, mas... estava lotado e com filas intermináveis! 


Olhem nesta foto noturna e reparem nas silhuetas que circundam a pirâmide! Melhor deixar a visita para uma próxima oportunidade. 




Mas para quem não consegue entrar no Louvre, tem as lojinhas que ficam no subsolo e formam mais uma galeria de compras e, lá, conseguimos ir... até parece coisa de turista, ir ao Louvre e ao invés de quadros e esculturas, visitar lojinhas, mas a culpa é da fila! E estamos entendidos!




Enfim... o Natal chegou, passou o dia e logo se tornou passado.

"- E a neve, cadê?"


Não sei, deve ter ido passar o inverno em Gramado, onde é mais "quentinho", porque em Paris necas de pitibiribas da neve.


Até a próxima!



domingo, 1 de março de 2020

INTRODUÇÃO - APERTEM OS CINTOS E BOA VIAGEM... OU NÃO!!!


APERTEM OS CINTOS E BOA VIAGEM... OU NÃO!!!

Eu nunca, nunca, jamais, viajo para fazer turismo. Acredito que viagens motivadas por simples vontade de tirar fotos ao lado de algum monumento para mostrar a amigos e familiares, que esteve em determinado lugar e assim sentir o gostinho do status, que provavelmente não tem, pura cafonice. Coisa de brasileiro pobre. Pobre de espírito, claro, porque se fosse de dinheiro não estariam na Europa, concordam?


Então, se virem retratos meus, ao lado de alguma estátua, ou de algum prédio icônico, saibam que foi um simples acidente!! Posso até parecer estar posando, mas é só ilusão de ótica. No máximo minha mãe (é, fui com minha mãe! Por quê?) fazendo, orgulhosa, o registro de sua cria, já quarentona, em lugares, digamos, estratégicos, como se tivesse 8 anos de idade... a cria, não a mãe. Acho que se valorizar usando possibilidades financeiras, uma das demonstrações mais vulgares da futilidade humana.

Como posso falar isso sendo parte da humanidade? Mas quem disse que faço parte desta espécie em franca regressão evolutiva? Deus me livre! Ahh... Aliás, sou ateu. Mas sou um ateu democrático, então não se preocupem. Por que viajo se não é para fazer turismo? Bom, viajo para ampliar meus horizontes, para pesquisar, adquirir conhecimento, estimular meu lado criativo e por ai vai... Mas também passeio e compro bugigangas. Considerem os dois últimos como efeito colateral

Voltando ao assunto, outra coisa que evito são excursões, aquelas viagens em grupo, sabe? Os grupos das excursões, de origem biológica duvidosa e possuidores de vácuo intracraniano, são aqueles tipos que, por exemplo, numa visita as ruínas de alguma cidade milenar, com importância histórica sem precedentes, preferem discutir sobre o final da novela que irão perder por estarem fazendo turismo!!

Talvez pareça arrogância, mas li uma frase creditada ao Jô Soares (não dá para confiar na Internet), que diz algo mais ou menos assim: “Quando argumentamos, demonstrando algum conhecimento, choca e faz com que você pareça arrogante."... Pensando bem, acho que essa frase é minha mesmo.

Mas é sempre bom lembrar que cultura não é o que entra pelos olhos, mas o que modifica o olhar... Para os engraçadinhos de plantão, que perguntarem se essa lógica vale para os cegos, respondo: Sim, vale, porque não citei só os olhos/olhares físicos, mas os da alma (ué, mas você não é ateu?). Com ou sem excursão o fato é que não dá para ignorar uma viagem a Europa, por exemplo, embora, talvez, parte do grupo preocupado com o fim da novela e afins, discorde.

Bom, mas vamos ao que interessa: Minhas duas primeiras viagens a Europa em excursões organizadas por uma agencia de turismo.

“- Ué, mas você disse que não faz turismo!”

Quer ouvir as histórias ou não? Acha que me meti naquelas roubadas de excursão de agencia de turismo por desejo próprio? Certamente não foi desejo meu, mas desejo de minha mãe e, mãe é mãe!! A minha, desconfio eu, que tenha raízes ítalo-judaica. Só pode! Ou eu ia com ela, e do jeito dela, ou ela me faria testemunhar alguma tragédia operística.